01/05/2011

Ferroviários comemoram avanços no setor

A criatividade e paixão dos ferroviários refletem na imagem e no saudosismo que locomotivas e vagões trazem ao longo desses 127 anos de estrada de ferro no Sul de SC. Toda essa dedicação recebeu um dia especial para comemorações, dia 30 de abril, Dia do Ferroviário.

A evolução do modal, novas tecnologias, prevenção e conquista de certificações que atestam os cuidados com a saúde, segurança, qualidade de vida e preservação do meio ambiente são resultados do comprometimento e busca pela melhoria contínua dessa classe trabalhadora.

Como são poucas as instituições de ensino e formações direcionadas para o meio ferroviário, grande parte da mão-de-obra é desenvolvida dentro da própria empresa, o que torna os colaboradores diferenciais na área e os instiga a sempre buscar novidades e criar mecanismos que facilitem a atividade e melhorem o desempenho da operação.

Na Ferrovia Tereza Cristina são inúmeros exemplos. Certificada nas normas ISO 9001, gestão da qualidade, ISO 14001, gestão ambiental e OHSAS 18001, gestão da segurança e saúde ocupacional, toda equipe assumiu a responsabilidade de trabalhar a prevenção e melhoria contínua dos processos. Desde 1997, ano da privatização, mais de R$ 53 milhões foram investidos na recuperação e modernização do material rodante, adequação operacional da via permanente, reforma das instalações físicas e na capacitação e formação de pessoas.

Ideias em ação

A segurança, qualidade e eficiência da operação ferroviária são prioridades na FTC. Focados nas diretrizes propostas, alguns colaboradores desenvolveram um computador de bordo para locomotivas com o objetivo de oferecer mais confiabilidade tanto para o maquinista quanto para o controlador de tráfego.

Durante a operação, o equipamento apresenta no display e armazena segundo a segundo informações precisas de velocidade, distância percorrida, localização na via, acionamento de sirene entre outras. Além disso, com o gestor de combustível, contribui com a eficácia dos resultados de testes realizados para mensurar o consumo. Além de gerar economia, a diminuição do consumo de combustível reduz a emissão de CO2, atuando diretamente na preservação do meio ambiente.

“O computador de bordo é um sonho antigo e melhora desde o conforto do maquinista até a diminuição dos gases emitidos pela locomotiva. A persistência e o amor pela profissão nos motiva a desenvolver tudo que é proposto, nos desafia”, valoriza um dos integrantes que trabalhou no projeto, Victor Cachoeira Guimarães.

Uma das figuras mais beneficiadas com a implantação do projeto foi o maquinista. E quem está no ramo há mais tempo sente a evolução. É o caso de Lindomar de Souza Cardozo, que iniciou na FTC em 1984. “Antes trabalhava em Maria fumaça e raramente fazia uma viagem com locomotiva a diesel. A diferença entre as duas é muito grande. Na locomotiva a vapor nós trabalhávamos em três, o maquinista e dois auxiliares”, relembra.

Lindomar destaca que os projetos desenvolvidos são importantes e marcam um avanço dentro da empresa. “Já estou na reta final de carreira, mas pude vivenciar melhorias como o computador de bordo que dá maior controle da locomotiva ao maquinista. Eu tenho muita vontade de ir trabalhar e esse fato é importante. Me preparo sempre pra trabalhar com gosto”, sublinha.

Além das melhorias em tecnologias e questões como ergonomia e conforto, com a implantação de ar-condicionado nas locomotivas e novas cadeiras para os maquinistas, os colaboradores da FTC também estão atentos às questões ambientais.

A principal atividade da Ferrovia Tereza Cristina é o transporte de carvão mineral das minas da região de Criciúma para a Tractebel Energia, em Capivari de Baixo. Os vagões utilizados nessa atividade eram feitos de madeira de lei e assoalho em chapa de aço que foram substituídos por plástico reciclado. O tempo de vida útil do material foi consideravelmente ampliado, preservando os recursos naturais.

“O plástico também pode ser utilizado como revestimento de outros tipos de vagões, substituindo a madeira ou placa compensada, desde que se façam as adequações de engenharia necessárias para o uso do novo material”, destaca o idealizador do projeto, o gerente da divisão de manutenção da FTC, Abel Passagnolo.

Dentre os benefícios da substituição estão: a melhoria na retenção da carga impedindo vazamentos de água e finos pelos encaixes ou rompimento de tábuas, a diminuição do custo de manutenção corretiva e preventiva, a redução do tempo de descarga do carvão e a reciclabilidade dos rejeitos.

“Fazer parte do meio ferroviário e da equipe FTC é muito bom. É uma empresa que “adotamos” e é muito importante pra mim. Faz 11 anos que estou nesse time e, além do vagão de plástico, desenvolvemos outros produtos, talvez não tão expressivos, mas não menos importantes. A criação gera acima de tudo uma satisfação pessoal. O vagão de plástico, por exemplo, é falado até hoje. Passou a fazer parte da apresentação da empresa”, valoriza Abel.

Essas e muitas outras melhorias foram realizadas nesses 14 anos de administração privada. Neste dia 30, dia mais que especial para os profissionais ferroviários, vale resgatar a história, vivenciar o presente e prospectar o futuro de mais crescimento e respeito pelo cidadão e pelo meio ambiente.

Fonte: Comunicação FTC

LEIA TAMBÉM

23/07/2019

O carvão mineral é muito importante na medicina

. . .

20/04/2020

O ‘day after’ desta crise nos trará um mundo com outros hábitos

. . .

31/10/2008

Investimentos na Via Permanente passam de R$ 20 milhões

. . .