Governo apresenta agenda com expansão da malha e reativação de trechos
Estratégia exposta na semana em que se celebra o Dia do Ferroviário inclui financiamento de longo prazo, garantias ao investidor e projetos que somam R$ 140 bilhões
A agenda de expansão e modernização do setor ferroviário brasileiro, com foco na ampliação da malha, novos modelos de financiamento e reativação de trechos ociosos, foi detalhada por representantes do governo e da regulação durante encontro promovido pela Frente Parlamentar Mista da Logística e Infraestrutura (Frenlogi) na quarta-feira (29), reunindo autoridades, parlamentares e lideranças do setor produtivo.
Realizado na semana em que se comemora o Dia do Ferroviário, celebrado em 30 de abril, o debate abordou os desafios estruturais do modal no país e as estratégias em elaboração para ampliar sua participação na matriz de transportes.
Durante o evento, o secretário nacional de ferrovias do Ministério dos Transportes, Leonardo Ribeiro, apresentou a carteira de projetos prioritários do governo, reunida no documento “Road Show Brasil Ferrovias – Carteira de Projetos de Concessões Ferroviárias e Ferrovias Inteligentes – 1ª edição de 2026”, encaminhado aos participantes.
Segundo ele, a estratégia federal para o setor está estruturada em três pilares: aporte público, financiamento de longo prazo e mecanismos de garantia ao investidor. “Não existe país no mundo em que o governo não aporta recursos para desenvolver a malha ferroviária. Isso acontece porque é um investimento que retorna para a sociedade”, afirmou.
O financiamento dos projetos deve contar com instrumentos como o Fundo Clima — que passou a incluir o setor ferroviário — e linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Já no campo das garantias, o modelo prevê o uso do Fundo de Garantia de Infraestrutura Sustentável (FGIES).
De acordo com o secretário, a carteira atual soma cerca de R$ 140 bilhões em investimentos diretos, com potencial de impacto de até R$ 600 bilhões na economia, considerando os efeitos sobre a cadeia produtiva.
Entre os projetos citados estão as renovações antecipadas das concessões da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), com previsão de aproximadamente R$ 30 bilhões em investimentos, além da Ferrovia Tereza Cristina (FTC) e da Ferrovia Transnordestina Logística (FTL).
No campo das novas concessões, o governo trabalha em projetos como o Anel Ferroviário do Sudeste (EF-118), que deve conectar os portos do Rio de Janeiro e do Espírito Santo à malha nacional, e a Malha Oeste, que pode adotar modelo com participação direta de recursos públicos.
Outro eixo apresentado foi a reativação de trechos ferroviários ociosos, estimados em cerca de 10 mil quilômetros no país. A proposta é utilizar o instrumento de chamamento público, previsto na Lei 14.273/2021, para viabilizar a recuperação dessas estruturas. O projeto-piloto é o Corredor Minas-Rio, ligando Arcos (MG) a Barra Mansa (RJ) e ao Porto de Angra.
Fonte: Be News